Zé Ramalho - Décimas De Um Cantador (1987)


Artista: Zé Ramalho
Disco: Décimas De Um Cantador
Ano: 1987
Esta edição: 2003 (Re-Edição em CD)
Gravadora: Epic
Estilo: Folk, MPB
Tempo total: 36:19
Formato: MP3 320k (+ scans)

Faixas:
01. Acredite Quem Quiser - 5:09
02. Number 9 - 0:11
03. Décimas De Um Cantador - 4:26
04. Pelos Telefones - 3:50
05. Lua Semente - 4:08
06. Aldeias Da Borborema - 3:09
07. Mary Mar - 4:30
08. Ser Boy (This Boy) - 4:07
09. Hino De Duran - 3:40
10. Mulher Nova, Bonita E Carinhosa Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor - 3:06

Um pouco da história:

Apresentação do disco por Zé Ramalho

É um disco ousado e futurista. As composições são estranhas, misteriosas e envolventes. São nove faixas e é o nono disco. Daí a alusão direta ao número nove, que se repete durante a audição numa voz robotizada (number nine... number nine...) lembrando momentos do "Álbum Branco" dos Beatles. A sonoridade era, para a época (1987), totalmente inovadora. Foram usados pela primeira vez samplers, emulators e digitalizações, que foram configuradas pelas mãos do Lincoln Olivetti. Houve muito mais ambientações como na faixa "Acredite Quem Quiser", onde usamos palmas (claps), criando um clima gospel / religioso. Apesar do envolvimento que tive com drogas, consegui virar esta página da minha carreira e depois de alguns anos, reouvir este "Décimas de um Cantador". Dá a nítida impressão de que a música vingou e o pior já passou. O cantador permanece e o poeta também.


Texto da reedição em cd (2003) por Marcelo Fróes

Neste "Décimas de um Cantador", percebe-se como nunca a influência dos Beatles na música de Zé Ramalho - ainda que com os arranjos inovadores do maestro Lincoln Olivetti. Além da instrumental Number 9 ser uma referência ao nono disco solo de Zé, era naturalmente uma brincadeira com a faixa Revolution 9 do "Álbum Branco" dos Beatles e fazia alusão, inclusive (ainda que somente pelo título), a Number 9 Dream, de John Lennon, que aniversariava num dia 9. Tínhamos também citação de Rain em outra faixa e, como se tudo isso já não bastasse, Zé sugeriu que o produtor Mauro Motta fizesse uma versão de This Boy em homenagem a Lobão. Hino de Duran, de Chico Buarque, também foi gravada em função de sua temática relativa às drogas... e, por fim, quando foi fazer as fotos para a capa, Zé Ramalho usou como palheta para tocar o violão uma gilete de ouro que usava num cordão. Os capistas da companhia resolveram entrar na onda e, ao ver o disco pronto, Zé concluiu que seu nome havia sido "batido em pó" na capa.

O disco foi lançado, Zé chegou a apresentar-se em alguns programas de televisão, mas foi logo procurado pelo então presidente da CBS, Marcos Maynard, que ligou-lhe dizendo: "Acho que está na hora de você dar uma arejada". Zé hoje recorda que já esperava este cartão vermelho e acha que tudo aquilo precisava acontecer. A partir de 1987, entrou num recolhimento longe dos estúdios de gravação. Seriam quatro longos anos, em que o artista viveria de direitos autorais e shows, morando num apartamento alugado no Leblon. Vendeu sua editora musical para a SBK, hoje pertencente ao grupo EMI, e extravasou até onde pôde sua história com as drogas, indo até o fundo do poço para que não tivesse mais o que procurar. Mas as sensações que vinham após as farras foram-lhe dando a impressão de morte iminente, e, embora não temesse a morte (por achar que a droga nunca o mataria), percebeu finalmente que não tinha mais nada a procurar.

"Eu estava me acostumando com a idéia de que estava em fim de carreira, mas percebi que teria uma segunda chance no dia em que me limpasse. Meu Cold Turkey rolou a partir de 1990, com meu organismo reagindo à desintoxicação com furúnculos nascendo nas costas. Ficaram cicatrizes" - lembra hoje Zé Ramalho, que, após três ou quatro meses, conseguiu limpar-se, embora tenha continuado a fumar e a beber socialmente. "Abandonei o pó e sei que a única pessoa que pode te tirar das drogas é você mesmo, por mais que a família e os amigos possam querer te ajudar", ensina o artista, que no dia em que acordou com o organismo limpo, começou a ouvir os bem-te-vis do Leblon. A sensibilidade finalmente voltou.

Fonte: Site Oficial

Site oficial: www.zeramalho.com.br

Outros discos do artista já foram publicados aqui no blog (ache eles AQUI).

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