Ira! - Vivendo E Não Aprendendo (1986)


Artista: Ira!
Disco: Vivendo E Não Aprendendo
Ano: 1986
Esta edição: 2015 (Re-Edição em CD no Box '30 Anos')
Gravadora: WEA (Edição original) / Warner Music Brasil (Re-Edição)
Estilo: Pop Rock, Rock
Tempo total: 48:24 (com Bônus)
Formato:
 MP3 320k (+ scans)

Faixas:
01. Envelheço Na Cidade - 3:17
02. Casa De Papel - 3:37
03. Dias De Luta - 4:28
04. Tanto Quanto Eu - 2:49
05. Vitrine Viva - 2:17
06. Flores Em Você - 1:55
07. Quinze Anos - 2:40
08. Nas Ruas - 4:19
09. Gritos Na Multidão - 3:16
10. Pobre Paulista - 4:52
Bônus:
11. Não Pague Pra Ver (Demo) - 2:50
12. Flores Em Você (Demo) - 2:36
13. Pobre Paulista (Demo) - 4:30
14. Nasci Em 62 (Demo) - 2:05
15. Tanto Quanto Eu (Demo) - 2:47

Um pouco da história:
Ira! é uma banda brasileira de rock and roll, formada em 1981, na cidade de São Paulo. A banda anunciou seu término em setembro de 2007. Em 2014 a banda anunciou sua volta.

No final dos anos 70, no outono da ditadura militar, Edgard Scandurra, fascinado pelo punk rock e, em busca desse som, ia a shows na periferia da cidade, para trocar informações com o pessoal. Foi então que Edgard e seu amigo Dino Nascimento resolveram montar uma banda que tocasse punk, sem esquecer de Led Zeppelin e Jimi Hendrix. Nascia aí a banda Subúrbio. Hoje crítico musical, Régis Tadeu foi integrante da banda como baterista . Nessa época, Edgard estudava no Colégio Brasílio Machado, onde volta e meia topava com um sujeito esquisito chamado Marcos Valadão Rodolfo, de apelido Nasi. Mesmo sem conhecê-lo, Edgard sentia simpatia pelo modo com que ele se vestia, e num desses encontros os dois acabaram se conhecendo, e ficando amigos.

Mais tarde, Edgard chamou o Nasi para participar do Subúrbio, no festihits do Ira!. Em 1980, Edgard foi convocado para servir o exército, e foi lá onde Edgard iria compor N.B. ("Núcleo Base"), que por sua vez também viraria um grande hit do Ira!.

Em 1981, Nasi chamaria o amigo Edgard para tocar num show na PUC e ali surgiria o Ira!, ainda sem exclamação. Completavam a formação o baterista Fabio Scattone, e o baixista Adilson.

Vivendo e Não Aprendendo é o segundo álbum do Ira!, lançado pela WEA em agosto de 1986. O álbum foi gravado entre maio e junho de 1986, no estúdio Nas Nuvens, (Rio de Janeiro) e as faixas 9 e 10 gravadas ao vivo na Brodway, em (São Paulo) em 3 de maio de 1986. Posteriormente, em dezembro de 2000, foi remasterizado e lançado em CD (foi a 2ª edição do disco no referido formato). Na época, era vendido por 85,00 Cz$ (cruzados). Este álbum entrou na lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. ficando na 94ª posição.

Considerado por muitos fãs como seu melhor álbum, e também por especialistas como o melhor álbum nacional dos anos 80 (por conter muitas faixas que se tornariam grandes sucessos), Vivendo e Não Aprendendo era o mais famoso e o também o mais bem sucedido comercialmente disco da banda até o lançamento do Acústico MTV em 2004. O disco de 1986, segundo o jornalista Ricardo Alexandre em seu livro Dias de Luta (cujo nome foi tirado, obviamente, de um dos sucessos deste álbum), vendeu 180 mil exemplares à época de seu lançamento, apesar de outras fontes divergirem quanto à isto (estimando as vendagens entre 150 e 250 mil cópias). Por mais de dez anos, foi o único álbum do Ira! a ter alcançado o status de disco de ouro.


O Ira! não teve relação fácil com o produtor Liminha durante as gravações do seu segundo disco no estúdio Nas Nuvens no Rio de Janeiro. O grupo desejava para o álbum um padrão sonoro que lembrasse o do conjunto inglês The Jam, uma de suas mais notórias influências, porém Liminha julgava como "desafinada" a sonoridade que Edgard Scandurra e cia. queriam como referência. Essa combinação de discordância estética, provocações e de constante interferência do produtor no processo criativo do grupo gerou uma relação tão tensa em estúdio que foi preciso transferir os trabalhos restantes de gravação e a mixagem para São Paulo, ficando sob a supervisão do velho conhecido Pena Schmidt.

"Gritos na Multidão" e "Pobre Paulista", gravadas para o obscuro compacto de estreia da banda em 1984, reapareceriam em Vivendo e Não Aprendendo, porém, em versões gravadas durante um show. A WEA tinha pretensões de lançar ambas como músicas de trabalho do disco, e pediu para que o grupo as regravasse. O Ira! recusou o pedido inicialmente, mas acabou por registrar novamente as canções, só que não em estúdio. O argumento era de que não seria possível fazer playback, recurso muito usual em programas televisivos da época, de canções que eram registradas ao vivo. Uma demo de "Pobre Paulista" aparece como faixa bônus da segunda edição em CD do álbum, lançada em 2000.

O show do lançamento do LP se deu em uma efusiva apresentação na Praça do Relógio, no campus da USP em 11 de Outubro de 1986 (citado como um dos cem melhores shows já feitos no Brasil em uma edição especial da revista Bizz, em 2005), diante de uma plateia estimada em 40 mil pessoas, entre elas, estavam Renato Russo, líder da Legião Urbana e Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, artistas da mesma geração do Ira!, com abertura das bandas Vultos e Violeta de Outono. O êxito do disco é atribuído a três faixas: "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta" e, especialmente, "Flores em Você". Construída a partir de um arranjo de um quarteto de cordas e um violão tocado por Edgard acompanhando o vocal de Nasi, foi tema de abertura da novela global O Outro, tendo sido a 13ª canção mais executada nas rádios brasileiras no ano de 1987. "Flores em Você" tem um arranjo altamente influenciado por "Eleanor Rigby" dos Beatles e por "Smithers-Jones" do The Jam. Terá sido justamente por causa de sua gravação que o grupo rompeu definitivamente com Liminha. Quando Nasi gravou os vocais da canção, o produtor perguntou como quem queria escarnecer da sonoridade do grupo: "e aí, qual é a sensação de cantar acompanhado de um conjunto afinado?", se referindo ao quarteto de cordas.

Ficou célebre, neste período, o boicote do grupo ao especial de Natal de 1986 do programa Cassino do Chacrinha. Na época, Vivendo e Não Aprendendo já estava atingindo a marca de 100 mil cópias vendidas, devido aos sucessos de "Envelheço na Cidade" e "Dias de Luta", e a banda foi convidada para fazer um playback usando famigerados gorros de Papai Noel. Em sua biografia A Ira de Nasi, lançada em 2012, o vocalista comenta que a gota d'água pra banda recusar de participar no especial, foi ver o cantor romântico Byafra tomando uma bronca de Chacrinha, porque durante sua aparição no programa, o crooner tirou o gorrinho da cabeça. No programa também participaram as bandas Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, entre outros artistas.

Também houve a polêmica apresentação feita na primeira edição do festival Hollywood Rock, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 6 de Janeiro de 1988. Quando chegou ao Rio, o Ira! se prepararia para ensaiar no estúdio Nas Nuvens (que era de propriedade de Liminha, o desafeto da banda àquela época), porém os componentes perceberam que os Titãs, escalados para tocar no mesmo dia, já ocupavam o local, o que já deixou a banda com sinais de nervosismo, fator que lhes acompanharia ao longo do espetáculo (iniciado com 35 minutos de atraso). A pouca receptividade do público e os problemas relacionados ao retorno de som também atrapalharam o desempenho do Ira! no palco. A situação piorou quando os amplificadores foram desligados antes de a banda executar "Pobre Paulista", que costumava ser a música de encerramento de seus shows. Edgard, insatisfeito, atirou a própria guitarra contra o palco com força, destruindo o instrumento diante da plateia. Já na apresentação feita em São Paulo pelo mesmo festival, uma semana depois, a banda se empenhou em fazer um bom show e o mesmo ocorreu sem maiores transtornos. Até à sua aparição na terceira edição do Rock In Rio, ocorrida em 2001, essa seria a última apresentação do Ira! em um grande festival de música.

Lado A do compacto, "Pobre Paulista" foi composta por Edgard Scandurra aos 17 anos, consistindo numa crítica à opressão dos governantes de sua cidade natal. Mas a canção desperta dúvidas (ou o furor) de pessoas quanto aos versos da terceira estrofe que, numa interpretação superficial, passam a ideia de bairrismo e preconceito contra as populações de migrantes provenientes de outras regiões do Brasil que encontram residência e trabalho em São Paulo - notadamente, indivíduos oriundos das regiões Norte e Nordeste

“Não quero ver mais essa gente feia / Não quero ver mais os ignorantes / Eu quero ver gente da minha terra / Eu quero ver gente do meu sangue”

Edgard e Nasi desmentem tal versão, atestando que não há conotações ao fascismo no trecho, e sim uma crítica "camuflada" às pessoas que apoiavam a ditadura - seriam essas as "feias e ignorantes", e não pessoas de outras cidades.

Fonte: Wikipedia

Site oficial: www.iraoficial.com

Outros discos da banda já foram publicados aqui no blog (ache eles AQUI).

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